Matutando na internet


Porques...

Um pouco mais de Pessoa..Bom Carnaval a todos.

Assim Como

Assim como falham as palavras quando
querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
(Alberto Caeiro)



Escrito por Fernando Sevá às 17h23
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Enquanto o velho Rio Acre vagarasomente sobe..

Assim como são os rios, somos nós, não fazem 6 meses água era o que mais faltava e agora é o que mais sobra, óbvio que os extremos sempre assustam eu porém prefiro andar pelo excesso do que pela falta, e é assim que me sinto hoje, ainda que aguarde sempre o amanhã se mostrar, como Pessoa logo abaixo também aguarda. Uma excelente semana a todos.! Abraços.

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de Domingo divertia-se toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de Domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é o que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanha serei finalmente o que hoje não posso nunca
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã..
O porvir...
Sim, o porvir..

Fernando Pessoa



Escrito por Fernando Sevá às 11h50
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Blogando Com Pessoa !

Eu blogueio, tu blogueias, vós blogueais e assim vamos adentrando 2006 entres poesias reais outras nem tanto. E para os meus amigos e visitantes mais duas poesias de Pessoa, a primeira inclusive indicação de um visitante que me fez relê-la depois de muitos anos. Abraços a todos.

Canta Onde Nada Existe 

Canta onde nada existe 
 O rouxinol para seu bem  (?),
Ouço-o, cismo, fico triste 
 E a minha tristeza também   (?)

Janela aberta, para onde 
Campos de não haver são
O onde a dríade se esconde
Sem ser imaginação.

Quem me dera que a poesia
Fosse mais do que a escrever !
Canta agora a cotovia 
Sem se lembrar de viver...

 

Como é por dentro outra pessoa 
  
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar? 
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

  Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares, 
São gestos, são palavras, 
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.



Escrito por Fernando Sevá às 10h41
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Voltando, quase sempre !

Algumas semanas fora, e alguns quase 14 mil quilometros de estradas por 12 estados desse Brasil, lindo e feio, amplo e pequeno, rico e pobre, seco e úmido, e claro, meu e seu. Das belezas das cachoeiras goianas às praias ceaenses, entrecortadas por milhares talvez milhões de outros marginalizados literal e figuradamente à beiras de estradas abandonadas como eles à própria sorte, os de piores "sorte"  me pareceram os sobreviventes do descaso reinante no Maranhão e na Bahia em especial, algo como se do bolsa-esmola e do tratamento eleitoral lhes sobrassem apenas umas poucas migalhas e deveres de perpetuaçãos dos políticos que lhes conduziram com tanta maestria a tal situação. Enfim, ano de Eleição e Copa, aproveito para indicar abaixo um ótimo desenho para todos vocês. Um grande abraço.

http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/corrente_page.htm



Escrito por Fernando Sevá às 17h48
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