Matutando na internet


Aos que vierem depois de nós !

Pois é, terminei de digitalizar esse texto que na minha opinião, é simplesmente extraordinário, e essa tradução do Fernando Peixoto encantadora, pois existem outras versões mais "lights" desse texto... vou tentar por em três blocos, pois esse tal limite de blog as vezes atrapalha e muito, gostaria que vocês comentassem, abraços !

Aos que vierem depois de nós (Bertolt Brecht, Tradução de Fernando Peixoto)

I

 

É verdade, eu vivo num tempo sombrio;

Uma palavra sem malícia é sinal de tolice.

Uma testa sem rugas é sinal de indiferença

Aquele que ri

Ainda não recebeu a terrível noticia,

Que tempos são esses, quando

Falar sobre árvores: é quase um crime,

Pois significa silenciar sobre tanta injustiça!

Aquele que atravessa a rua tranqüilo

Já está inacessível aos amigos

Que passam necessidades?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver

Más acreditem: é por acaso, Nada do que faço

Me dá o direito de comer quando tenho fome.

Estou sendo poupado por acaso.

(Se a minha sorte me deixar, estou perdido)

Me dizem: come e bebe! Fica feliz por leres o que tem!

Mas como é que eu posso comer e beber,

Se a comida que como, tiro de quem tem fomo?

Se a água que bebo, faz falta a quem tem sede?

Mas mesmo assim eu como e eu bebo.

Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é sabedoria:

Se manter afastado dos conflitos do mundo

E passar sem medo

O curto tempo que se tem para viver,

Seguir seu caminho sem violência

Pagar o mal com o bem

Não satisfazer os desejos, mas esquecê-Ios.

Sabedoria é isso!

Mas eu não consigo agir assim:

É verdade, eu vivo, num tempo sombrio!



Escrito por Fernando Sevá às 15h06
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Aos que vierem depois de nós ! (Continuação1)

 

II

 

Eu vim para a cidade no tempo da desordem

Quando a fome reinava. .

Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta

E me revoltei ao lado deles.

Assim se passou o tempo

Que me foi dado viver sobre a terra.

Eu comi o meu pão no meio das batalhas

Para dormir eu me deitei entre aos assassinos.

Fiz amor sem multa atenção

E não tive paciência com a natureza,

Assim se passou o tempo

Que me foi dado viver sobre a terra.

No meu tempo as ruas conduziam ao lado

As palavras me denunciavam aos aos carrascos

Eu podia muito pouco. Mas o poder dos patrões

Era mais seguro sem mim, espero.

Assim se passou o tempo.

Que me foi dado viver sobre a terra.

As forças eram limitadas

O objetivo permanecia a uma longa distância,

Era nitidamente visível. mas para mim

Quase fora do alcance.

Assim se passou o tempo

Que me foi dado viver sobre a terra.



Escrito por Fernando Sevá às 15h00
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Aos que vierem depois de nós ! (Continuação2)

 

III

 

Vocês que vão emergir das ondas

Em que nós perecemos,

Pensem.

Quando falarem das nossas fraquezas,

Nos tempos sombrios

De que tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através das lutas de classe,

Mudando mais de país do que de sapatos, desesperados

Quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos,

O ódio contra a baixeza

Também endurece os rostos!

A cólera contra a injustiça

Também faz a voz ficar rouca! Infelizmente nós,

Que queríamos preparar o terreno para a amizade,

Não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos,

Mas você, quando chegar o tempo

Em que o homem seja amigo no homem.

Pensem em nós

Com indulgência.

 

 



Escrito por Fernando Sevá às 14h55
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A Carta Chinesa - Marxismo x Revisionismo

Uma excelente contribuição para o debate teórico, inclusive com cópia do livro em anexo, enviada por minha amiga Nazira.

" A Carta Chinesa", elaboração do Núcleo de Estudos do Marxismo-Leninismo-Maoísmo.
Pela primeira vez em português, documentos da polêmica entre o Partido Comunista da China e da União Soviética. Este debate representa a mais aguda luta entre marxismo e revisionismo. Nestes documentos podemos compreender como a União Soviética caminhou para o capitalismo já a partir dos anos cinquenta, e como o Partido Comunista da China enfrentou e combateu o revisionismo soviético. Também nesta luta está a chave da compreenssão dos rumos do Partido Comunista do Brasil a partir de 1962.

Livro à venda na Livraria Paim
(R$ 25,00 / 544 páginas)

Lançamento com debate na UFAC - Sala Ambiente de Letras
Data: 27/05 (quinta-feira), 19:00 hs

Clique aqui para baixar o livro

Abraços



Escrito por Fernando Sevá às 14h46
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Blog Vivo !

Caros, essas semanas foram completamente tomadas de tarefas chatas, mas depois de tudo, acho que agora vou ter mais um tempinho para publicar outras cositas más...devo receber mais colaborações em breve, e publicar enquanto ninguém censura a gente...por falar nisso adicionei o link para um blog recém-nascido, que tem uma série de perguntas bem interessantes sobre questões da tribo e do Brasil, chama-se Caverna da Lua de Saturno e está na nossa lista ao lado.



Escrito por Fernando Sevá às 19h44
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Olá a todos, como esse blog não tem dono nem gerente, quero convidar quem quiser colaborar com textos (pode ser sobre qualquer coisa, aqui não tem censura, nem partido, nem religião, afinal o nosso objetivo é prosear e matutar!

Iniciando essa minha idéia, publico abaixo textos e links do professor Oswaldo Sevá, excelente material para matutarmos sobre a questão energética, a nível local e (inter)nacional.

Matutando sobre a eletricidade, os rios, as mega-usinas e o povo...

 

Quem matuta é o professor Oswaldo Sevá, 55 anos, quase metade matutando sobre essas idéias e fazeres. Neto de italianos, brasileiro do Sudeste, sem patriotada, e de laços poucos e apertados com a Amazônia e o Acre. Não há projeto de mega-usina por enquanto infernizando os acreanos. Ainda bem, é que fazem há décadas com os mineiros, paranaenses, paulistas, goianos, gaúchos, baianos, paraenses e outros mais. Mas há projeto logo ali em Rondônia, e se acaso se concretizar, irá interferir bem muito com a vida dos cidadãos florestãos, é isso?

Matutando bem, isto começou do seguinte modo:

Há um tipo de gente que anda anda anda até chegar numa queda do rio, numa cachoeira, olha, saca a calculadora, mede, olha o relógio, chuta o número da vazão de água, estima a altura da queda, e sai calculando quantos dólares poderia ganhar fazendo ali uma hidrelétrica. Diante da beleza e do usufruto, ver apenas uma outra coisa, parece um tipo de alienação doentia, quase uma esquizofrenia. Como não sou especialista médico, insisto que é uma espécie de insanidade. Outros humanos, mais do meu tipo, assuntam e vão atrás das cachoeiras para passar o dia, respirar ar puro, tomar banho nos poços, namorar, massagear nas duchas, deitar nas pedras olhando as bromélias, orquídeas e samambaias. Ao chegar, preciso saber se há esgotos rio acima, testar a correnteza, me inteirar dos perigos ao nadar e escalar as rochas, saber dos mosquitos e sacar o repelente, estudar a luz e a sombra para fazer várias fotos e tentar acertar algumas. Ás vezes, encontro mini-usinas, a maioria abandonada, sucateada, algumas em ruínas, outras virando boteco para os banhistas e trilheiros.

Diante disto, fica fácil decifrar: a coisa começa com o tipo que argumenta, orgulhoso, na base do dito “potencial hidrelétrico”, diz que o país possui (êpa!) mais de 200.000 Megawatts e só temos uns 65 ou 70 mil instalados. Vai daí que, simplório e maligno ao mesmo tempo, acha e proclama que todos os rios devem ser barrados, e ponto. Mas os rios não estão aí para serem barrados. Nem as pessoas estão aí para serem tripudiadas e empobrecidas a cada “jazida de megawatts” que alguns decidam construir.

Consulte o ensaio anexo, escrito em Setembro de 2002, e ainda bem atual   Clique aqui para abrir o ensaio ]



Escrito por Fernando Sevá às 11h11
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Continuação de Oswaldo Sevá ....

 

MEGA-USINA NO MADEIRA, matute tu mesmo !

Se fizerem uma das mega-usinas projetadas no rio Madeira, a da Cachoeira Santo Antonio ou a do boqueirão do Jirau, ela seria localizada no trecho entre abaixo da balsa do Abunã e acima Porto Velho; se a barragem após construída, der passagem para rodovia federal, o que é comum acontecer – aí uma parte da BR 364 que liga as duas capitais estaduais poderia ser remanejada para a margem esquerda do rio Madeira, e subiria paralelo à fronteira RO-AM até encontrar a pista atual, na altura de Vista Alegre do Abunã.

O rendoso serviço da balsa cairia a zero, mas talvez resolvessem cobrar um pedágio na travessia da mega-usina. Rio Madeira acima, ainda não sabemos, mas a foz do Abunã seria represada, a água represada pode ser que atinja o belo degrau rochoso em Fortaleza do Abunã. Toda a moçada da região de Rio Branco perderia sua maior praia na temporada de Agosto a Outubro.

Em Porto Velho, o pessoal tinha que torcer pra nunca acontecer nada não paredão, poucos km rio acima da cidade; por via das dúvidas, também perderiam a praia, a pesca na Cachoeira Santo Antonio, como já perderam o trem que ia todo dia até lá; talvez percam até as ossadas e lápides do velho cemitério, do tempo dos “ingrezis”.

Para os peixes, botos, répteis e quelonios que brincam e caçam comida rio abaixo e rio acima, migrando muito longe, haveria uma mudança total; a pesca para alimentação dos humanos em todos os rios decairia: no próprio Madeira, no Jaci Paraná e seus vários afluentes, no Mamoré, no Abunã, no Tihauamanu e Xipamanu, no Madre de Diós, no Beni, no Mamoré.

Mas primeiro matute o seguinte:

carece mesmo agora, ou alguns anos na frente, destas mega usinas?

esta montanha de eletricidade iria pra onde?

fazer o quê? por qual caminho?

a qual custo?

 

MINI USINAS DESATIVADAS

Em alguns casos que pude acompanhar em zonas rurais montanhosas no RJ e em MG, estava tudo funcionando e os donos resolveram “ligar na rede rural”, e desativaram sua engenhoca sinal de inteligência e de adaptação. Consultar o texto SEVA e KOPITAR, 2002,       disponível na página www.fem.unicamp.br/~seva.



Escrito por Fernando Sevá às 11h11
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