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Matutando muito por esses dias......
Escrito por Fernando Sevá às 10h08
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Dois anos depois ...
Sabe quando a gente sente que já passou por alguma sensação antes? Ontem tive a mesma sensação de dois anos atrás quando escrevi aquele que seria meu primeiro texto para o matutando..algo estranho, porém muito bom. Resolvi publicá-lo novamente. Abraços a todos !
Entre bytes e idéias
Preciso parar com isso, eu disse que já ia dormir, mas tá virando meio vicio (acho que este "meio" foi uma auto-amenização da situação), mas como são apenas conteúdos legais acho que não faz mal (de novo amenizando), claro, além da coluna vertebral e dos olhos que padecem do mal-dos-computeiros-interneteiros, o resto passa bem, em especial o juízo e a falta dele.
Pois bem, pulo dos Blogs legais para os foto-blogs, e destes para os email’s do BrTurbo, do Uol e do meu trabalho, afinal preciso ver se alguém além destas propagandas chatas quer se comunicar, fecho os email’s e aí apareço para olhar o que tá rolando nos fóruns, listas e sites de discussão de economia, bike, informática, design gráfico, fotografia e vinhos.... este último colabora com peculiar razão para o vício em sites de previsão de tempo, conto nos dedos a hora de esfriar o tempo por aqui.
A viagem chega perto do fim, mas claro, preciso olhar as notícias, e ver nos jornais o que acontece no mundo fora desses processadores e chips, tá tudo escuro, tenebroso, as notícias não são das melhores, então volto para desligar apenas a tela, pois o computador é um trabalhador virtual, o único que posso escravizar sem que depois me processe na justiça do trabalho, então ele vai ficar baixando pra mim toda a gama de músicas e filmes que gosto, sem intervalo, sem locutores de fm, nem propaganda de usuários felizes de telefone celular (desconfio que estes sim são seres virtuais).
Acho que se Dom Pedro fosse declarar a independência diria, “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que libero o Kazaa”. Download parece palavrão, mas baixar música dá muito mais prazer do que ouvir a mesma música de um disco original, fico feliz imaginando as grandes gravadoras atônitas com tudo isso, viva o Byte Comum !
Deito e fico matutando como organizar os meus favoritos, minha lista de endereços eletrônicos, agendar as contas, catalogar as músicas e vídeos, e esse mundo de arquivos com essas siglas estranhas soltos dentro desse disco duro, assim tá duro de continuar, melhor organizar a estante da varanda, mais fácil.
(Fernando Sevá)
Escrito por Fernando Sevá às 15h05
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Começando 2006 ...
Depois de férias, carnavais e cinzas voltou o cotidiano, desta vez um pouco mais atribulado...agora são 3 turnos de trabalho...c'est la vie não é mesmo? com muita disposição até que o ano e respectivo fim também cheguem para me possibilitar desligar todas as turbinas e encostar a máquina que roda diuturnamente 11 meses ao ano...Daqui a alguns dias quando conseguir desembaralhar tudo venho aqui postar algumas idéias que andei matutando esses dias de final de inverno amazônico...Abraços para todos nesse ano de Copa, Eleições e eteceteras.
Escrito por Fernando Sevá às 10h38
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Porques...
Um pouco mais de Pessoa..Bom Carnaval a todos.
Assim Como
Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade. Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada. Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada. Assim tudo o que existe, simplesmente existe. O resto é uma espécie de sono que temos, Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença. (Alberto Caeiro)
Escrito por Fernando Sevá às 17h23
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Enquanto o velho Rio Acre vagarasomente sobe..
Assim como são os rios, somos nós, não fazem 6 meses água era o que mais faltava e agora é o que mais sobra, óbvio que os extremos sempre assustam eu porém prefiro andar pelo excesso do que pela falta, e é assim que me sinto hoje, ainda que aguarde sempre o amanhã se mostrar, como Pessoa logo abaixo também aguarda. Uma excelente semana a todos.! Abraços.
Adiamento
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã... Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã, E assim será possível; mas hoje não... Não, hoje nada; hoje não posso. A persistência confusa da minha subjetividade objetiva, O sono da minha vida real, intercalado, O cansaço antecipado e infinito, Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico... Esta espécie de alma... Só depois de amanhã... Hoje quero preparar-me, Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte... Ele é que é decisivo. Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos... Amanhã é o dia dos planos. Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo; Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã... Tenho vontade de chorar, Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro... Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo. Só depois de amanhã... Quando era criança o circo de Domingo divertia-se toda a semana. Hoje só me diverte o circo de Domingo de toda a semana da minha infância... Depois de amanhã serei outro, A minha vida triunfar-se-á, Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático Serão convocadas por um edital... Mas por um edital de amanhã... Hoje quero dormir, redigirei amanhã... Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância? Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã, Que depois de amanhã é o que está bem o espetáculo... Antes, não... Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanha serei finalmente o que hoje não posso nunca Só depois de amanhã... Tenho sono como o frio de um cão vadio. Tenho muito sono. Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã... Sim, talvez só depois de amanhã.. O porvir... Sim, o porvir..
Fernando Pessoa
Escrito por Fernando Sevá às 11h50
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Blogando Com Pessoa !
Eu blogueio, tu blogueias, vós blogueais e assim vamos adentrando 2006 entres poesias reais outras nem tanto. E para os meus amigos e visitantes mais duas poesias de Pessoa, a primeira inclusive indicação de um visitante que me fez relê-la depois de muitos anos. Abraços a todos.
Canta Onde Nada Existe
Canta onde nada existe O rouxinol para seu bem (?), Ouço-o, cismo, fico triste E a minha tristeza também (?)
Janela aberta, para onde Campos de não haver são O onde a dríade se esconde Sem ser imaginação.
Quem me dera que a poesia Fosse mais do que a escrever ! Canta agora a cotovia Sem se lembrar de viver...
Como é por dentro outra pessoa Como é por dentro outra pessoa Quem é que o saberá sonhar? A alma de outrem é outro universo Como que não há comunicação possível, Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma Senão da nossa; As dos outros são olhares, São gestos, são palavras, Com a suposição de qualquer semelhança No fundo.
Escrito por Fernando Sevá às 10h41
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Voltando, quase sempre !
Algumas semanas fora, e alguns quase 14 mil quilometros de estradas por 12 estados desse Brasil, lindo e feio, amplo e pequeno, rico e pobre, seco e úmido, e claro, meu e seu. Das belezas das cachoeiras goianas às praias ceaenses, entrecortadas por milhares talvez milhões de outros marginalizados literal e figuradamente à beiras de estradas abandonadas como eles à própria sorte, os de piores "sorte" me pareceram os sobreviventes do descaso reinante no Maranhão e na Bahia em especial, algo como se do bolsa-esmola e do tratamento eleitoral lhes sobrassem apenas umas poucas migalhas e deveres de perpetuaçãos dos políticos que lhes conduziram com tanta maestria a tal situação. Enfim, ano de Eleição e Copa, aproveito para indicar abaixo um ótimo desenho para todos vocês. Um grande abraço.
http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/corrente_page.htm
Escrito por Fernando Sevá às 17h48
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Viajar! Perder países!
Viajar! Perder países! Ser outro constantemente, Por a alma não ter raízes De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim! Ir em frente, ir a seguir A ausência de ter um fim, E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem. Mas faço-o sem ter de meu Mais que o sonho da passagem. O resto é só terra e céu. (Fernando Pessoa) 20-9-1933
Indo, vindo, vivendo e existindo! (Fernando Sevá) 24-12-2005, de Férias até fevereiro de 2006 Grande Abraços e felicidades a todos !!!
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Escrito por Fernando Sevá às 21h18
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essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém
(Charles Bukowski)
Escrito por Fernando Sevá às 11h30
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Não teima, não teima eu tenho Reima !
Olá a todo mundo, muito trabalho, muita festa, muito tudo..atribulado ao extremo. Interessante, dia desses descobri que tenho um amigo que lê meu blog porque eu comento num blog que ele vigia, estavamos nós à base de discussões etílico-estimuladas sobre os problemas do mundo, especialmente aos do mundo mais próximo, tal amigo acusou-me de inércia quanto ao meu olhar crítico, "ontonce" vejamos, se ele ou outrém estiver interessado em debater o que nos cerca além das pontes e cercas, tem esse primeiro link a direita no blog que é uma tentativa de achar e propor algo. Bem, tô indo ali e acolá para matutar como viajar.
P.S.: "Não teima, não teima que eu tenho Reima" é uma estrofe de música do jabuti-bumbá, batizado ontem de maneira simples, apoteótica e emocionante.
Escrito por Fernando Sevá às 12h34
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Vinho em Pessoa...
Não só vinho, mas nele o olvido, deito Na taça: serei ledo, porque a dita É ignara. Quem, lembrando Ou prevendo, sorrira? Dos brutos, não a vida, senão a alma, Consigamos, pensando; recolhidos No impalpável destino Que não ‘spera nem lembra. Com mão mortal elevo à mortal boca Em frágil taça o passageiro vinho, Baços os olhos feitos Para deixar de ver.
(Ricardo Reis)
Escrito por Fernando Sevá às 09h54
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Cometi Orkuticídio ...
Caros, já se vão 10 anos de vida "on line", muita coisa e boa e ruim pelo meio de tantos bytes, experiências gratificantes outras nem tanto, enfim.. um highlander digital, aderindo sempre a todas novidades do mundo virtual... uma dessas porém foi bastante peculiar, o Orkut, testemunhos, amigos, recados e por aí vai.. gostei, viciei, cansei, relutei e acabei por matar o meu perfil, antes ele do que eu.
Abaixo um texto que achei hoje na net e que talvez sirva pra dizer os porquês desse ato de findar com o mundo virtual do Orkut.
Abraços a todos.
Fernando Sevá
Por Keid Sammour.
Conversei dia desses com um amigo sobre a invasão brasileira ao Orkut, e tentamos fazer previsões sobre as possíveis atitudes do Google sobre esse fato: Publicidade ultra-segmentada? Assinatura do serviço? Extinção? Em suma: nenhuma conclusão sobre o porvir deste fenômeno recente que, apesar de americano, é a coisa mais brasileira da Internet.
Se o futuro é incerto, no momento o Orkut está decadente, pois perdeu o frescor de novidade. Antes, a curiosidade guiava as pessoas até lá; hoje, me parece ser a lucidez que as mantém longe. Esse desacordo me assolou com a necessidade de entender o impacto do site sobre a vida das pessoas. Como ponto de partida, observei os exemplos de pessoas próximas e a mim mesmo. Recentemente, e depois de alguns fatos testemunhados, eu cometi orkuticídio (eliminação voluntária do perfil).
Seria o Orkut um totem da nossa inerente necessidade de sociabilização? Marcelo Coelho, em sua coluna na Folha de S. Paulo, definiu que é assim que o histórico espírito de cordialidade brasileira (o tapinha nas costas) sobrevive também no meio dessa modernidade. Mas achei que isso seria apenas um sintoma, e algo maior está velado na relação com o site.
Hoje, à distância, o Orkut se mostra a mim algo como um emblema reducionista. Ainda que eu reconheça o que ele me ofereceu quanto ao resgate da minha história - amigos de infância e adolescência fragmentados em lembranças; a volta de pessoas queridas, mas distanciadas - entendi que a brincadeira foi transformada em exercícios de vaidade esquizofrênica.
Ainda não vi pesquisas, mas li opiniões e presenciei acontecimentos, e isso me causou firmes impressões sobre possíveis prejuízos quanto ao uso do Orkut. Intuo que esses arremedos de agregação social podem debilitar personalidades, pois reduzem muito do esforço necessário e imprescindível que temos na vida para manter relações interpessoais. Isto, o site simula com maestria e ameniza a ansiedade desse processo. A alma humana precisa de ritos, bem como impor restrições a si mesma. Facilidade nem sempre é virtude. As situações bem-sucedidas que acontecem - reencontro feliz com o passado, histórias de amor que dão certo, novas amizades que serão aprofundadas - não têm sua realização atrelada à tecnologia. Independente do ambiente, essas coisas são possíveis.
Mas no Orkut não existe uma linha que separe o público e o privado, uma vez que os scrapbooks são abertos e todos podem ler conversas inteiras. Penso também na ansiedade repetitiva que a chance de novas mensagens pode gerar. Qual o motivo para alguém expor particularidades desabonadoras, escancarar a vida afetiva e agonizar nessa praça pública virtual como assim o fazem? O about me é um palco irresistível, pois permite o desfile de identidades em múltiplos trajes virtuais.
Testimonials são atestados tortos sobre a índole de desconhecidos, já que não é costume falar mal dos amigos em público. Conceitos se confundem, valores se camuflam, a intimidade é farsa e superlativos tornam-se moeda de troca. Têm-se desde uma honestidade pungente - que, desconectada, na vida social seria revogada pela concepção de respeito ao outro - até mentiras complexas. Tudo em busca de um reflexo impossível de ser conseguido num cotidiano concreto; mas, forjada e anônima, essa dissimulação pode fazer frustrações encontrarem cumplicidade e solidariedade, além de animar egos.
De modo ilusório as verdades sociais são minimizadas, a geografia torna-se irrelevante, o status é nivelado. Quem faz sucesso - ou quem coleciona maior número de pessoas e/ou recebe maior número de scraps - são aqueles que têm habilidade em se comunicar. Ou talvez as pessoas que melhor repliquem, por meio de seu perfil, os estereótipos românticos e sexuais vigentes, autônomos a preferências de gênero, e sejam projeções desejáveis - a elas destinam-se o resplendor e a certeza de adulação. Eis a regra do Orkut: uma pálida, porém leal imitação da vida.
Soube de uma história de amor que começou no Orkut, mas, ao ser convertida à vida real, ruiu dramaticamente. Até o encontro efetivo, que prometia ser a concretização de um desejo compartilhado por duas pessoas desconhecidas separadas pelo destino, o efeito de realidade norteou e legitimou a esperança do afeto ser verdadeiro. Infelizmente não era. Enfrentada, a realidade fez emergir os defeitos que voluntariamente se ocultaram por entre e-mails, chats no messenger e telefonemas interurbanos. Faltou aos amantes a consciência de que a ausência do corpo, a falta de convivência, e a omissão de detalhes das personalidades de ambos não sustentam a concretude que uma relação exige. A despeito da dor imobilizante para uma das partes, a relação, baseada em valores desatrelados da verdade, terminou com a previsível facilidade de desligamento pela outra. A virtualidade justifica atitudes.
Pesei a relação custo-benefício e fugi dessa floresta digital paranóide. No momento em que eu apagava meu perfil e lembrava da ?lista de amigos?, uma frase de Proust ecoava em mim: "a amizade não é mais que uma mentira que nos faz acreditar que não estamos irremediavelmente sós". Os simulacros do Orkut autenticaram para mim o ceticismo dele. Ao contrapor com a vida real, meu orkuticídio foi feito com alívio e paz de espírito.
Escrito por Fernando Sevá às 12h41
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INFERNO CINZA
" Já respirou hoje? Agradeça a um fazendeiro, Fumaçania Sustentável ! "
Escrito por Fernando Sevá às 12h24
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Hoje !
Rio Branco do Acre cinzento Manhã de Setembro de um ano do século 21 Fumaça que quase tudo esconde Lembranças infantis de tempos límpidos
Céu estranho de cinza-tijolo Agonia plúmbea em contraste eterno Pois a paz estranha de azul-celeste encanta Coração estranho de vermelho-sangue
28 anos e alguns meses se vão Vida acertadamente errrada Tropeços que levam aos acertos E estes acertos que sem tropeços a nada levam
Que venham mais tantos anos E que se vão todas as cinzas e dores Pois a alma que aqui escreve Prefere as alegre cores
Fernando Sevá (19/9/2005)
Escrito por Fernando Sevá às 11h20
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Matutando com Pessoa ...ler sem moderação..
HÁ METAFÍSICA BASTANTE EM NÃO PENSAR EM NADA
O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas? Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos E não pensar. É correr as cortinas Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério. Quem está ao sol e fecha os olhos, Começa a não saber o que é o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? A de serem verdes e copadas e de terem ramos E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, A nós, que não sabemos dar por elas. Mas que melhor metafísica que a delas, Que é a de não saber para que vivem Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"... "Sentido íntimo do Universo"... Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. É incrível que se possa pensar em cousas dessas. É como pensar em razões e fins Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas É acrescentado, como pensar na saúde Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas É elas não terem sentido íntimo nenhum. Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta dentro Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, Não compreende quem fala delas Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores E os montes e o luar e o sol, Para que lhe chamo eu Deus? Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; Porque, se ele se fez, para eu o ver, Sol e luar e flores e árvores e montes, Se ele me aparece como sendo árvores e montes E luar e sol e flores, É que ele quer que eu o conheça Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe, (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?). Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora.
Alberto Caeiro
Escrito por Fernando Sevá às 09h54
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BRASIL, Norte, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Viagens, Arte e cultura, Pedalar, gastronomia e vinhos MSN - monoseva@hotmail.com
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